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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Analfabeto sim, fracote não!


Politico em campanha eleitoral

Abriu os olhos e não conseguiu entender o que estava vendo. Aos pouco começou a distinguir as caras conhecidas. Lá estavam o pai, a mãe, a avó e o primo pastor alemão. Todos com cara de felicidade e ele meio zonzo começou a lembrar porque desmaiou. Começou a lembrar que foi conferir seu nome na lista do TRE e descobriu que foi eleito vereador. Ficou envergonhado. Que horror, seu primeiro ato foi um desmaio. O que é que seus eleitores iriam pensar? Que era um fracote, um maricas, um banana, um sujeito sem forças. Pediu segredo a todos do que tinha acontecido e começou a distribuir empregos pela família. Estava empregando todos da família e da vizinhança quando chegou o tio com a terrível noticia. Analfabeto não pode assumir cargo eletivo.
Foi ai que ele se lembrou do tempo que Dona Lurdinha, a senhora sua mãe, mandava ele  ir para a escola junto da igreja de São José e ele ia jogar gude atrás do armazém de seu Apolinário, em frente à casa de Seu Ataxerxes, vizinho de Dona das Dores, a parteira.
Desabou um mar de tristeza no meio dos recém-desempregados. Logo agora que o primo Justiniano ia casar com Coriolanda, a filha de seu Cornélio, aposentado da Marinha. Mas Deus é poder e isso não podia ficar assim. Para não passar vergonha de novo e ser considerado um fracote, um sujeito sem forças, um maricas, um banana resolveu gritar “Me leva para o hospital que eu tou tendo um derrame”.
 Foi outro corre-corre para levá-lo para o hospital no carro de Donizete que era a gasolina, mas se colocasse diesel e álcool de farmácia funcionava, coisa que Seu Tertuliano, sogro de Donizete, ia mostrar para os homens da Petrobras que seu genro era “o cara”, apesar de Pitucha, esposa de Donizete, não gostar que o marido andasse de carro, a gasolina ou não, pelas redondezas da casa de Dona Ocridalina, viúva de Seu Calisto, o coveiro. Donizete dizia que ia jogar dominó com a turma da Central e voltava na calada da noite calado e suado.
 Enquanto ia satisfeito para o hospital contente por livrar-se de tudo isso, o ex- futuro vereador ouviu seu tio Diocleciano dizer que era melhor ele não assumir o cargo porque ele não tinha lá essa força toda para ter o poder nas mãos.  Ficou mais feliz porque para ele era mais descente ser lembrado como um banana, um fracote, um maricas, do que um analfabeto burro, tapado, que não sabe fazer um O com um copo.

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